quarta-feira, 2 de abril de 2014

Uma poesia vazia de mim

Queria não estar assim, entre mim e o medo de mim,
Ou talvez nem medo seja. Raiva, talvez, pela covardia
De não gritar minha dor que fica forte mas calada
Dentro do silêncio que me sufoca, me deixa inerte,
Preso em um vazio onde estar é mesmo que nada ser.
Me resumo no ácido amargo das palavras que calo,
Na afiada voz cortante dos pesadelos que a alma grita,
Cheios de dor, de amarguras, ruminando o gosto
De uma solidão que engole os momentos como engoliu
Os sonhos, os desejos, até as mentiras ilusórias
Com que enganava a alma carente de sonhos novos.
Não sei mais quem sou, até a saudade que ontem
Brincava comigo, trazendo pedaços de mim que ficaram
No tempo, trazendo fragmentos das história vivas,
Histórias que me fizeram escrever poemas com a alma,
Que me enfeitaram o corpo em rimas completas e coloridas,
Agora se fazem palavras mudas em versos moribundos,
Cansados de se fazerem pensamentos perdidos,
Desesperados,  indo ao tempo como um grito sem eco 
De uma poesia sem começo, sem fim e... vazia de mim.


José João
02/04/2.014

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