quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um momento infintamente eterno

Meu coração acenava triste, um adeus que minha 
Boca se recusava em  falar, em dizer e a alma em sentir.
Os olhos gritavam alucinados, com um olhar
Pedido no nada, só as lágrimas choravam baixinho
Essa dor. As mãos tremiam, se abraçavam solenes.
E solidárias, acariciavam os olhos, enxugando as lágrimas
Que mais pareciam orações rezadas a um deus surdo,
Pedindo que o adeus não fosse ouvido, ou não fosse dito,
Se fizesse silêncio, se perdesse em palavras esquecidas.
O corpo ardia num calor febril e um suor se fazia forte
Como se ele chorasse pela dor que o peito, em soluços,
Queria, por força, gritar. As pernas pareciam dormentes,
O chão parecia abri-se em fendas, e o ar fazia-se denso,
De repente um cinzento roubou a cor do mundo...
Tudo ficou parado só se ouvia o coração pulsando
Descompassado, num pulsar triste, arrastado, choroso,
Falando em murmúrios: Não vai...por favor...não vai...
Mas a distância se fazia sempre maior, tanto para a voz
Quanto para os olhos. Só não para a alma
Que até hoje lembra esse momento...infinitamente eterno.


José João
17/04/2.014



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