sábado, 26 de outubro de 2013

Uma canção perdida na noite

Lá fora, na noite escura, silenciosa e fria
Um violão plangente, uma voz chorando uma canção,
Parece contar uma história que um dia alguém escreveu,
Alguém que, certamente, nem me conhecia,
Mas falava de lágrimas...que pareciam minhas,
De um adeus que ficou na alma como triste guardado,
Fez morada, brincou com o tempo e se fez eterno.
Port vezes a voz se fazia reticente, se fazia muda,
Vinha ao tempo como um doloroso suspiro, um soluço
Que mais parecia uma lágrima querendo gritar.
E o violão declamava as notas como se fossem poesia
O dó se fazia diversos tons, grave como aquela dor 
Que não se sabe a cura, o coração é que grita,
Fazia-se agudo, por vezes, como pontiagudo punhal
Furando a alma. O si deixava a história ainda mais triste
Por sempre se poder perguntar: E "si" não fosse assim?
Mas a nota mais doída, a que mais doeu em minha alma,
Foi o sol, que se deixou ficar deitado, escondido na noite 
Como se amanhã não fosse preciso chegar.
E assim, voz e violão acordavam a noite com acordes
Que a brisa parecia botar no colo e levar pra longe...
Levar até onde meus sonhos perdidos puderam ir.


José João
26/10/2.013



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