quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Te amaria assim...

Todos os sentimentos de minha alma gritam teu nome
Todos se misturam em um só sonho: Você.
Me esqueci de mim, para viver meus sonhos contigo,
Te levo em meus horizontes coloridos, entre jardins,
Colho o gosto da chuva para sentir teus lábios,
Brinco como a brisa para cariciar teu corpo,
Me vesti de ti, me faço tua morada, te faço minha vida.
Corro para buscar teu perfume que a primavera tomou
Me banho com ele, me deixo molhar, me invadir,
Me sinto as vezes criança brincando de sonhar,
Mas é como posso sentir a vida pulsar dentro de mim.
Se me perguntassem como vou te amar? Responderia:
Como nunca ninguém te amou. Vou buscar estrelas,
Desenhar teu rosto nas nuvens, escrever teu nome
Na costa do vento e deixa-lo ir gritando pelo mundo,
Te abraçaria como se abraçam a onda e a areia,
Te beijaria terna e mansamente como fazem, na flor,
As meigas e leves borboletas. Te amaria assim...
Como se minha vida fosse você.


José João
31/10/2.013







quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Há um lugar onde mora o amor?


Na estrada vazia, o vento cantando triste,
Histórias de longe trazidas a serem levadas ao tempo.
Um coração vazio, carente, cheio de vontade
De ser feliz, guarda um lugar para quem ouse ama-lo.
Grita nomes que não sabe de quem. Orações rezadas
Se fazem cantos, ladainhas pedindo milagres,
Um coração vazio se enche de angustias e reclama
Da solidão que se faz densa nos caminhos percorridos,
Mas vai, não sabe pra onde, vai seguindo o sol,
Que vindo do leste, cruza o mundo, ilumina o norte
Mas nunca chega lá, onde um horizonte se faz vivo
Esperando andarilhos que querem chegar no céu
De um mundo onde amar é tanto quanto viver.
Há um lugar escondido onde o amor pode morar?
Há um lugar onde o amor possa ser encontrado?
Ou esse lugar está dentro do coração dos amantes?
Ah! O amor. Um dia ouvi: Não precisa que me ames,
Eu te amo por nós dois. Tentei, não fui amado,
Amei por nós dois, amei tanto...e sofri sozinho
Um sofrimento que seria pra dois, sentir sozinho...
...É quase morte...


José João
20/10/2.013



Gritos de minha alma

Teus lábios são mudos para os meus beijos,
Sorriem, cantam, falam coisas comuns, 
Mas são mudos para os meus beijos.
Teus lábios me falam, teus olhos me olham,
Mas tua alma se cala na distância de teu silêncio,
Teu perfume se espalha em volta de mim.
Tuas mãos me tocam casualmente, estremeço,
Meu corpo treme gritando desejos mudos,
Minha alma se agita mas...minha voz...emudece
Meus olhos perdem a voz pelo desespero
De cada olhar que não percebes, gritos da alma,
Que não ouves, que  não entendes ou não vês,
Ah! Esses teus lábios mudos para meus beijos!
Esses teus olhos silenciosos, calados, distantes,
Que nada me dizem e escondem tua alma de mim
Se fazem histórias que escrevo com lágrimas,
Em versos inacabados contando saudades 
Do que ainda não vivi, de dores que sinto agora,
Do amanhã que, em mim, hoje já chegou


José João
30/10/2.013




terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dizem que a primavera é linda

Ah! É primavera! As flores se debruçam sobre o mundo,
Brincam com a brisa que lhes caricia as pétalas perfumadas,
Até o tempo se contagia com o perfume delas, enebriantes.
Os pássaros pulam de galho em galho, cantam alegres,
Confessam seus amores em melodiosos trinados
Cheios de notas desconhecidas mas de divinal harmonia.
Os beija-flores, irrequietos, se perdem entre as tantas flores.
As Amarílis e os Lírios se abraçam como se fossem amantes,
Se olham ternamente, trocam o doce perfume das pétalas,
A beleza austera dos Antúrios se tornam ternas carícias,
A fazem declarações para as Zínias que se enrubescem 
Como se fora suas faces a corarem pela inocente timidez,
É primavera,  Os Miosótis crescem em lindos buquês 
Talvez querendo impressionar a impassível Cerejeira,
Que, sem folhas, mostra toda sua exuberante elegância 
Nos caules coloridos cheios de flores e pequenos botões
-  ele diz ser a mais bela flor do mundo -
E a finíssima, terna, doce e delicada Chuva de prata
Na sua postura séria e aristocrática fazendo do Cravo 
Um pobre contemplativo e sonhador amante!
É primavera, todas as flores em pétalas de gala,
Até o Ipê, lá em cima, na serra, todo vestido de amarelo
Dançando ao vento para impressionar a laranjeira,
Toda florida - como se fosse uma noiva - olhando de soslaio 
Como se não estivesse interessada, mas louca de vontade...
É primavera, dizem que tudo fica lindo, mas eu... eu
Não vejo nenhuma beleza... estou triste...estou chorando


José João
28/10/2.013





Uma história pra contar.

Te amo. Talvez  seja este meu maior segredo,
Te amo em meu silêncio, nos meus sonhos impossíveis,
Na minha louca vontade de gritar... mas calo, emudeço.
Minha alma te procura aflita em todos os meus momentos,
Te faz poesias que ela mesma recita entre prazer e angustia.
Prazer de se fazer tua nos sonhos, e angustia por  nunca ser.
Disseste adeus, agora eu sei, caminhos a se abrirem livres,
Fazem que sigas para outros horizontes, outras histórias,
E eu? Vou te seguindo, como se tua liberdade fosse estrada
Para os meus tantos sentimentos, todos os que guardei,
Todos os que escondi, por não poder entrar em tua alma
Ocupada que estava, talvez até, apenas pelo hábito. 
Ah! Esses nossos costumes que nos marcam tanto!
Sei, teu coração ainda sente a dor do adeus que disseste,
Talvez ainda a angustia te sufoque os dias, a horas,
Talvez teus pensamentos ainda sejam tomados pelos ontens
- é muito difícil viver um adeus -
Mas, te amo assim mesmo, embora não te espere nunca.
Vou apenas sonhar, vale a pena, afinal sonhar também é viver,
Que bom que estás livre, essa dor vai passar logo...
Mas a minha...não sei. Viver esse amor em silêncio,
Guardar esse segredo que se faz em mim um mundo
E viver dentro dele! Mas é bem melhor ter uma história
Pra chorar que não ter nenhuma pra contar.


José João
28/10/2.012



sábado, 26 de outubro de 2013

Uma canção perdida na noite

Lá fora, na noite escura, silenciosa e fria
Um violão plangente, uma voz chorando uma canção,
Parece contar uma história que um dia alguém escreveu,
Alguém que, certamente, nem me conhecia,
Mas falava de lágrimas...que pareciam minhas,
De um adeus que ficou na alma como triste guardado,
Fez morada, brincou com o tempo e se fez eterno.
Port vezes a voz se fazia reticente, se fazia muda,
Vinha ao tempo como um doloroso suspiro, um soluço
Que mais parecia uma lágrima querendo gritar.
E o violão declamava as notas como se fossem poesia
O dó se fazia diversos tons, grave como aquela dor 
Que não se sabe a cura, o coração é que grita,
Fazia-se agudo, por vezes, como pontiagudo punhal
Furando a alma. O si deixava a história ainda mais triste
Por sempre se poder perguntar: E "si" não fosse assim?
Mas a nota mais doída, a que mais doeu em minha alma,
Foi o sol, que se deixou ficar deitado, escondido na noite 
Como se amanhã não fosse preciso chegar.
E assim, voz e violão acordavam a noite com acordes
Que a brisa parecia botar no colo e levar pra longe...
Levar até onde meus sonhos perdidos puderam ir.


José João
26/10/2.013



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A prisão de ser só

Ah! Esses meus olhos! Insistem em não olhar as flores!
E meu coração! Chego a rir dele. Risos tristes,
Cheios de lágrimas, mas rio quando ele diz:
Ah! Amar é bobagem. - e se fecha mudo -  Minha alma
Diz que a culpa é minha, que não vejo mais encantos
Nos tantos encantos que insisto em não ver,
Que a culpa é minha por sentir medo, por me esconder
No mudismo de meu pensamento, por me fechar
No marasmo de mm e deixar os encantos...sem encantos
Fugir de momentos quando os olhos, ternamente,
Se entregam a um olhar cheio daquele desejo da alma,
Aquela vontade sublime de apenas dizer: Te amo.
Ah! Esses meus temores e medos! Essa minha ilusão
De - sozinho - estar em liberdade. Essa minha ilusão
De ir, de vir, de estar onde queira estar e gritar pra mim:
Sou livre - Chego em casa, abro a porta ela está vazia,
Cheia de móveis, belo tapete, quadros, mas ... vazia.
Aí minha liberdade se esconde dentro da solidão
E minha alma diz: Quem te dera a prisão
De alguém te perguntar: De onde vens? E te dar um beijo.


José João
25/10/2.013



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Por culpa do meu silêncio

Talvez calar tenha sido meu maior pecado...o silêncio,
O medo, não me deixaram falar, os lábios emudeceram
Enquanto minha alma, desesperada,  gritava: Te amo
Meus olhos corriam em busca dos dela, se perderam

Ficaram buscando no tempo o que  queriam te falar
Mas calaram, fitavam o chão, tímidos, mudos e tristes
Um tremor nas mãos, um suor gelado, sem sentido,
No peito um pulsar tão alvoroçado quanto descabido

Os dedos se entrelaçavam como se buscassem voz
O corpo, em uma dança ridícula, não sabia parar
As palavras se atropelavam antes de qualquer falar

Um desespero incontido, que vinha de dentro da alma,
A angustia que se fez viva, forte e  me mandou calar,
Meus medos... a fizeram dizer adeus sem nem me olhar.


José João
24/10/2.013






terça-feira, 22 de outubro de 2013

Mente apenas pra mim

Não me importa que mintas, que enganes minha alma,
Não, não importa. Vira o rosto, deixa teu olhar perdido no nada,
Finge que ainda és minha e diz baixinho que me amas.
Mente pra mim, pelo menos uma vez diz que me amas.
Me deixa sonhar, me deixa acreditar nas verdades fingidas
Que eu mesmo contei pra mim. Mente, vou me enganar
E acreditar, e mesmo chorando, vou fingir sorrir,
Vou deixar meu coração brincar com tuas palavras,
Vou leva-las noite afora como se fossem minhas orações.
Vira o rosto, olha lá distante, ao longe, lá onde não estou
E sussurra, fala sem me olhar, teus olhos não mentiriam,
Seriam cruelmente verdadeiros, não suportaria
Me seriam cruéis como se fossem uma brisa gelada passando,
Volteando entre meus medos, entre meus vazios e temores
De ouvir aquilo que não quero ouvir. Deixa tuas mãos macias
Falarem ao tempo em palavras mudas, deixa que dancem
Leves como se quisessem tocar o tempo, deixa. Deixa
Que se ocupem assim. Assim não precisas tocar-me o rosto
Em carícias de piedosa entrega, me basta apenas que mintas.
Vai, e se perguntarem se ainda me amas, cala, não diz nada
Mente apenas pra mim.


José João
23/10/2.013



Minha poesia de amanhã

Pobre coração, chorando de amor e brincando de saudade,
Como um mendigo que se põe a pedir migalhas de amor,
Sobras de um olhar, um carinho na voz, restos de um sorriso...
Qualquer coisa que o faça sentir-se  gente outra vez.
Como criança que chora perdida nas noites escuras
Sem a luz do luar, sem a lua brilhando beijando o mar.
Talvez o amor se tenha perdido nas tantas histórias
Que um dia viveu, e agora sozinho, se põe a pensar
Em tudo que vida um dia lhe deu, e por mero capricho
Tomou outra vez. Assim tão sozinho como pássaro preso
Cantando tristezas que da alma lhe vem, cantando lembranças
De beijos trocados que já nem sabe com quem.
Perdido nas trevas de cruel solidão, o pranto chegando
De dentro da alma e do coração. Já nem sabe quem é,
Desde há muito se perdeu, mas não culpa o destino
Talvez nada daquilo devesse ser seu.
Os sussurros da vida se fazem oração a vezes rezadas
Sem nenhuma ilusão. E lágrimas caídas rolando no chão
São palavras soltas,. gritadas por um coração.
Vivendo em um um mundo onde pesadelo é sonhar
Com coisas que a vida talvez nem possa mais dar.


José João
22/10/2.013



domingo, 20 de outubro de 2013

Vida! Um barco de velas rotas

Ah! vida! Barco de velas rotas rodopiando em mar bravio,
Sem rastros para seguir, nem porto para chegar.
Entre tempestades e calmarias se faz ao largo e... vai,
Lento, cavalgando ondas que não o levam a lugar nenhum.
Lastro a romper-se gemendo triste em sutis soluços,
E o vento, cantando saudades, balança os trapos de vela
Que um dia fez o barco navegar, veloz, buscando um cais,
Que agora some, entre brumas cinzas que se fazem rotas
Em rumos mortos onde ninguém pode chegar jamais .
Ah! Vida! Barco sem leme, flutuando ao tempo,
Em perdidas rotas porque as estrelas não brilham mais
Se esconderam em tempestades frias na noite escura
Em véu espesso, densa névoa, que ao mundo cobre
Como se nada mais fosse preciso ver ou acontecer.
Lá distante, na tênue linha entre céu e mar, um horizonte
Se desenha em cores na manhã que nasce em alvorecer,
Mas embora o dia se abra em cores e se faça fácil seguir,
Por tantas dores fico parado no meio do tempo
E como demente, por tantos medos, me nego a ir.


José João
20/10/2.013





sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Talvez um dia...

...Lá vem as ondas, beijar meus pés e buscar minhas lágrimas,
 E lá vão elas como amigas, talvez conversando minhas dores.
O mar, a saudade, o canto das ondas, a brisa leve e ...eu.
Os pensamentos voam distantes levados pela estrada de sol
Que se deita sobre o mar, voam rápidos, como eco de uma voz
Que vai louca, querendo ser ouvida, mas o vento olhe toma o tom.
.Lá longe, muito longe, onde só minha saudade pode me levar,
Ela deve estar, as vezes se esconde dentro dos meus sonhos,
E vou eu busca-la nos momentos que deixei dentro da alma.
Outras vezes o esquecimento insiste em faze-la ir-se para sempre,
Mas saudade e alma não permitem, e ela fica dentro de mim
Como necessidade para viver. Paro em frente ao mar imenso,
Talvez do tamanho de minha angustiante saudade, e me entrego,
Me entrego ao desespero da carência que se faz forte e viva,
É aí que minhas lágrimas caem sobre as ondas, para irem,
Como viajantes tristes, donas da minha história e segredos.
Fecho o olhos, o vento enxuga algumas lágrimas que ficaram,
Olho passivo o horizonte como se esperasse um milagre,
Vê-la chegar sorrindo e dizer apenas: Cheguei.

José João
18/10/2.013






quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ainda estou te esperando

Não sei de onde vens, nem mesmo sei se vens, mas já te amo.
Teu nome não importa, posso te chamar de Sol, Vida, Mel...
Um nome? Isso não importa. Onde estás, ou quem és...não sei,
Quais caminhos vamos trilhar para que nos encontremos, não sei,
Disso se encarrega o destino...só sei que te espero... e desde muito.
Te sonho nas minhas noites, no frio silêncio da madrugada,
Te procuro nos rostos desconhecidos que nas ruas eu encontro,
Não sei quem és... como são teus cabelos... não sei teu perfume,
A única certeza que tenho é que existes, apenas nos desencontramos.
Te chamo com a ternura de minha alma, desde sempre cheia de ti
Na ânsia louca de te encontrar, até já te beijei, afaguei teus cabelos,
Sussurrei em teu ouvido, até te senti tremer quando disse: Te amo.
Não sei onde estás, talvez em outro país nos fazendo ser preciso
Falar com os olhos e com a alma, ou talvez, quem sabe, bem aí,
Na esquina por onde passo todos os dias e o dia de te encontrar
Não chegou ainda! Te espero e tomara que chegues logo,
Te procuro nas ruas,  te procuro dentro da multidão,
Te guardo no pensamento e procuro entre meus sonhos...
Mas onde mais te procuro é na minha vontade de ser feliz.


José João
17/10/2.013


















quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Brincando de fazer lágrimas

Ontem brinquei de fazer lágrimas,
Fiz lágrimas de solidão, lágrimas de saudade,
Lágrimas de tristezas, fiz até lágrimas sorridentes,
Estas pelas lembranças de amores vividos,
Sentidos, amores que me fizeram sorrir.
Brincar de fazer lágrimas é brincar diferente
Quase todos fazem as lágrimas iguais
Fazem as mesmas lágrimas para qualquer dor
Eu não, minhas lágrimas sabem seus motivos.
Enquanto muitos sofrem para fazer suas lágrimas
Eu brinco de faze-las, assim como um artesão
Que transforma com as mãos o pensamento em beleza
Que é vista com os olhos, eu transformo minha dor
Na beleza reluzente dos meus próprios olhos
Quando neles as lágrima saem efusivas
Na quantidade certa da emoção que minha alma sente
Minhas lágrimas saem por felicidade, rarissimas vezes,
Por tristezas, solidão, saudades, até por sonhos
Que não sonhei, saem por dores alheias
Saem até por dores que nunca imaginei.
Quase sempre brinco de fazer lágrimas, muitas lágrimas
Por dores sentidas, ou por dores que nunca chorei.
Fazer lágrimas é brincar de brincar diferente
Fazer lágrimas é como brincar de ser gente.


José João
10/08/2.011
(reedição)



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Coisas que a vida faz.

Sou a minha mais cruel lembrança de mim. Sou meus restos,
Sou meus tantos sonhos mortos caídos no chão do tempo
Como  pedaços de versos perdidos em páginas rotas,
Rasgadas, presas na alma, e no mundo voando soltas

Levo comigo, dentro do peito, minhas dores e saudades,
No pulsar descompassado de um coração tão carente
Levo as angustias misturadas com meu sangue corrente
Teimoso em fazer-se vida, correndo por tão demente

Nas mãos, levo as marcas das carícias que um dia fiz
Levo o perfume do rosto que afaguei, lábios que beijei
Meu rastros me seguem gritando meus covardes medos, 
Os olhos se fazem arredios querendo esconder segredos

Sou minha estrada perdida, mas ainda finjo ver horizontes
Desenho flores nas margens de estradas que só eu vejo
Faço de lágrimas avulsas flores brincando de primavera
E corro entre vazios procurando meus perdidos desejos

Vou, perdido na demência de quem já nem sabe quem é
Canto cantigas antigas, que até já haviam sido esquecidas
Chamo nomes, mas não sei os rostos, não lembro mais
Levo apenas minha loucura todo o resto deixei pra trás

Vou com minha solidão, por veredas, estradas e ruas
Minha alma, por tantas dores, se veste em chagas cruas
Minha voz se perdeu, sussurro apenas, perdi meu grito
E do silêncio sai o eco de um pensamento gritando aflito.
- coisas que eu  nunca disse -


José João
15/10/2.013












segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Viver? É brincar de ...viver

As vezes a vida se faz um alegre caminho, sempre primavera,
Brinca nos ouvidos do tempo cantando canções desconhecidas,
Cheias de divina mansidão, declama poesias completas
Cheias de versos felizes, em rimas soltas voando alegres.
As vezes a vida se faz um conto de fadas, cheios de sonhos
Que se fazem verdades como se fossem uma doce magia,
Outras vezes a vida se faz um oceano de águas mansas
Com estradas para o sol, correnteza leve, indo serena,
Sem qualquer direção, pois qualquer porto lhe enche a alma.
As vezes a vida se faz assim, terna, brilhante e calma.
Mas para alguns se faz desafios, a mansidão dos oceanos
Se faz  tempestade, mar revolto, furioso a fazer buscar 
Os limites, e as fadas...se vão com suas varinhas de condão,
Acaba a magia e tudo fica como pedra talhada no tempo.
Pontiaguda, calcinada, cheias de frestas infestadas de solidão.
O brincar nos ouvidos do tempo já não é brincar,
A canção desconhecida se faz soluços, tétricos de lamentos
Cheios de lágrimas que turvam as estradas para o sol.
A vida é assim. Uma magia, onde os tristes também 
Brincam de viver, com lágrimas, mas brincam de viver,


José João
14/10/2.013
 

domingo, 13 de outubro de 2013

O silêncio que ficou dentro de mim


Se não houvesse o silêncio talvez eu não sofresse tanto,
É nele que a solidão se faz mais forte, entra em minha alma
E se deixa ficar no vazio silencioso de dentro de mim. 
É no silêncio que o pensamento voa perdido no nada
Buscando as horas choradas pelas dores sentidas, vividas
Lá, bem distante, onde só ele sabe onde está,
E vai buscar, como se fosse um ontem que ainda não passou,
Que ainda não se fez passado, embora tenha sido distante,
Tanto que até a saudade nem lembrava mais...
É o silêncio que, nas noites, faz as horas preguiçosas,
Lentas, passando sem querer passar. É o silêncio.
É ele que me enlouquece,  me toma os sentidos,
Me enche os olhos de lágrimas, me deixa o olhar demente
Correndo na noite escura sem saber o que encontrar.
O silêncio! Um mórbido grito do vazio, de um denso vazio
Que ficou dentro de mim, apenas porque um adeus quis assim.
Mas o pior silêncio não é aquele que escuto no meio da multidão
É aquele que como vida  se faz vida dentro de mim


José João
13/10/2.013


Lágrimas, poesias em meu rosto

São poesias essas lágrimas que triste agora choro
Uma outra maneira de minha alma falar ao mundo
São gritos que ela guardava desde quase sempre
Que agora saem tristes como versos moribundos

Poesias que na alma se guardaram inacabadas
Por serem muitos, os tantos adeus por ela ouvida
Foram se fazendo em prantos nela acomodados
Só  agora foi permitido se fazerem assim chorados

São versos perfumados com cheiro de saudades
Outros são coloridos com as cores da primavera
Mas todos como lágrimas se fazendo de quimeras

Versos como prantos a fugirem por meus olhos
Se fazem poesias a se perderem em meu rosto
E nos lábios deixam, da tristeza, o amargo gosto


José João
13/10/2.013





sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Minha silenciosa confissão

Estou aqui pensando em ti, coração aos prantos
E tu nem sabes. E se soubesses...que importa?
Coração ocupado, já fechado, já sem porta
Jaz minha vontade ao chão caída, agora morta

Brinco de sorrir com teu sorriso aqui sozinho
Me envolvo num teu abraço, carência de menino
Que busca em sonhos brincar com as estrelas
E delas receber um piscar sutil... doce carinho

E tu, me vês sem me olhar, me escuta sem ouvir
O que meu coração, envergonhado, quer  falar
O que minha alma, timidamente, quer te contar

Agora vem teu perfume sorrateiro me envolvendo
E eu, louco amante em atroz segredo te guardando
Gritando com as lágrimas que agora estou chorando.

José João
11/10/2.013






Três dias de etenidade

Foi há muito tempo, mas a saudade não deixa esquecer
Momentos tão ardentes onde nossas almas se fundiram,
Se fizeram de apenas uma, e dois corações que se juntaram
No pulsar de um só compasso. Palavras se fizeram tão poucas!
O tempo parou como por magia, as horas se fizeram dias,
E cada um mais longo que o outro como se um ser divino
Estivesse escrevendo nossa história para o infinito.
Três dias de eternidade, três dias que se fizeram de sempre,
Três dias que se fizeram de verdadeira vida, como se o antes 
Fosse um mero detalhe do existir e o depois ...o depois
Eterna saudade de viver. Hoje, ainda só vejo você,
E me digo sem que saibas: Somos nós dois para sempre.
Até hoje encontro em mim tantas coisas de ti,
Tantas coisas que deixaste que não pude deixar de guardar
Dentro de mim. Teu sorriso, teu olhar de verde esperança, 
A ternamente, me buscar na alma toda certeza de mim.
Três dias de eternidade, de entrega infinita e perene.
Hoje não sei onde estás, talvez nem mais ti lembres de nós,
Mas deixa, deixa que guardo essa eternidade por nós dois.
Assim o meu remorso é bem menor.


José João
11/10/2.013



Ah! Esse silêncio em teu olhar!!

Te faço essência, te faço a vida de minha vida,
Te ponho toda dentro de mim em ânsia  louca.
Grito alto o teu nome e me entrego a te adorar
Mas o que sinto é esse silêncio em teu olhar

Atroz silêncio, sem cor, a fazer-me assim, cativo,
De dor insana a tomar de mim os meus sentidos
Invadindo sonhos que me vinham em socorro
Ressuscitar saudades que em mim tinham morrido

Esse silêncio em teu olhar a me dizer profano adeus
Essa minha alma tão aflita a ti ouvir sem protestar
Meu lacônico silêncio, triste eco do meu pensar

Tudo se faz de tanto e, por tanto, difícil de suportar
Que  a própria dor, comigo, se propõe até a chorar
Mas prefiro chorar sozinho esse silêncio em teu olhar.


José João
11/10/2.013


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Um exílio entre a multidão

Não sei se um dia um coração sofregamente pulsou por mim,
Se uma alma,  num devaneio, perdida, comigo sonhou.
Se n'alguma noite, olhos tristes buscaram minha imagem
Entre lágrimas de saudade por falta de mim. Não sei.
Não sei se um dia alguém sentiu aquela vontade de mim,
Vontade ardente, aquele desejo entre loucura e ternura,
Aquela saudade carinhosa que faz a lágrima sorrir alegre,
Marejar os olhos num brilho virgem de um amor inocente,
Não sei. Talvez tenha nascido para apenas viver, isso, viver.
Quem sabe os doces instantes dados aos apaixonados amantes
A mim, tenham sido nesgados,  proibidos, por pecados paridos
Em passados vividos onde apenas o amor me tomou os sentidos,
E me fez amar  ser mais que pecar, me fez ser até blasfemar,
Me fez inventar orações, e só o nome dela eu sabia rezar
Ah! Que amor louco! Ela distante, mesmo assim, bem perto
Dos meus olhos pedintes, de um coração gritando a esmo
Um grito demente, sem melodia, apenas um grito carente.
Ah! Como amei! Meu Deus, como eu amei!  Hoje fico calado
E mesmo vivendo no mesmo mundo de todos me sinto um exilado


José João
09/10/2.013






sábado, 5 de outubro de 2013

Minha alma, uma águia solitária


 ...As vezes penso que minha alma é uma águia a voar sobre as montanhas, brincando com o vento, voando cada vez mais alto como se quisesse chegar perto do céu e de lá trazer poesias. Voa livre, sozinha, liberta e a vontade para ir e vir. Passa por sobre nuvens, sem medos, tranquila, descobrindo horizontes por onde ninguém passou. Brinca de fazer o por-do-sol mais belo no refletir em suas asas fortes a luz dourada do sol e ela, impassível e majestosa, fica a voar num flutuar sereno como se fosse dona do tempo. Uma águia, incrivelmente bela a se  fazer paisagem, passando por sobre montanhas e  se deixando ser desenhada contra o céu azul que lhe serve de fundo para um quadro vivo onde ela se faz única.
As vezes penso que minha alma é uma águia a procura do que, não sabe. Por isso vai, talvez não tão serena, mas incansável na sua procura, voando contra o vento, rufando suas asas fortes, aguçando o olhar ao longe, furando o espaço e indo em qualquer direção, se cansa...pousa na montanha mais alta majestosamente altiva, talvez até sinta a dor da solidão mas...não chora, passa por cima da dor e outra vez levanta voo em direção a outro horizonte mais distante ainda. Corajosa e forte não teme nem as tempestades, por piores que sejam, voa elegante, rápido como flecha ligeira cortando o espaço e o tempo, e se o tempo, por capricho ou inveja, a faz envelhecer, na montanha mais alta, vencendo a dor lacerante que lhe toma o corpo, ela se faz mais forte. Subjuga a dor, se automutila, se sobrepõe à pior das dores ao arrancar as velhas penas, as garras agora fracas, arranca o próprio bico (Meus Deus que dor!!!!) Mas depois, outra vez majestosa e bela, voa livre, altaneira, se faz dona do seu mundo tão amplo, tão aberto e tão livre e vai de horizonte em horizonte na sua solitária procura, um dia, quem sabe ela encontre! Assim é minha alma.


José João
05/10/2.013

Um grito em cada verso

Quando meus momentos mais ternos se perderam, se foram,
Uma dor, que não era qualquer dor, me tomou de mim
E me fez morada, invadiu minha alma sem pedir e ficou.
Ruiu por terra todos os sonhos que sonhei e me perdi.
Olhava e nada via como se tudo tivesse perdido a cor

Andei levando comigo meus medos, dores e lágrimas
Parava em frente a horizontes desconhecidos
E perguntava ao tempo até onde essa dor doeria
Não tinha respostas, o tempo se fazia silencioso,
Amargo, apenas se arrastava lento passando por mim
Sem dizer horas nem caminhos...e eu queria tão pouco!

Sentei no vazio que uma tarde qualquer se fez pra mim
Esperei entre lágrimas, respostas, até divinas que fossem,
Rezava orações que só se faziam de blasfêmias e lamentos

Fui, por caminhos perdidos, procurando rastros e cores
E assim pintar as lágrimas, enganar minha alma triste,
Lívida,  pelos tantos agravos que o destino lhe deu
Imagens se faziam e eu só queria uma letra de cada verso
Zoneando por estrofes o que tanto minha alma clama


José João
05/10/2.013






sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Perdoa se me perdi de ti

 Perdoa pelo meu egoísmo de te prender desesperadamente
Dentro de mim. Por te fazer tatuagem em minha alma,
Perdoa por te fazer de minha mais perfeita e única oração.
Só rezando teu nome é que eu me encontro, mesmo entre as saudades
Dos tantos momentos que vivemos. Rezar teu nome é viver.
Perdoa se fiz de ti os meus sonhos mais verdadeiros,
E dentro deles, mesmo só com tua lembrança, ainda vivo
Perdoa, te peço de joelhos, se te faço correr em minhas veias
Como meu próprio sangue a massagear um coração carente
Assim como deixaste o meu que pulsa pela esperança de ti.
Perdoa se peço aos prantos, mais prantos para chorar
Essa saudade eterna que dentro de mim se acomodou
Perdoa essa falta que ainda sinto de ti e me faz te buscar,
Lá onde um dia nos deixamos ficar beijando nossos corações
E brincando de amar com nossas almas tão completas de nós.
Perdoa se não sabes que ainda te amo. Enfim, amor, perdoa
Se me perdi dos teus rastros... se me perdi em teus pensamentos.


José João
04/10/2.013



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Onde estarão os meus sonhos...

 GRITA, coração, GRITA na loucura de teu pulsar, GRITAAAAAA
Que ninguém amou como tanto amamos, GRITA CORAÇÃO
Por favor conta para o mundo nossos segredos, nossas dores,
GRITA das tantas lágrimas que choramos juntos  quando o adeus,
Aquele adeus que ouvimos em silêncio, foi maior que nós dois,
E minha alma! ONDE ESTÁ MINHA ALMA? Que escondida
Se derrama em prantos  convulsivos e fica muda chorando sozinha.
ONDE ESTÃO MEUS SONHOS...MEUS SONHOS,
Que se perderam entre os nadas que ficaram e me fizeram ser
Poesias rotas, perdidas, sem rima, rasgadas como velhos trapos
Que a dor fez apodrecer nas páginas amarelas de livros sem voz,
QUERO GRITAR, CHORAR, CORRER (quero sonhar outra vez)
Perdi meus sonhos, me perdi de mim, deixei meus rastros se apagarem
Com medo de voltar, corri em desespero para lugar nenhum...
Na vã tentativa de me esconder de minha própria dor.
Hoje balbucio palavras soltas, reticentes em poemas inacabados.
ONDE ESTÃO OS VERSOS SEM LÁGRIMAS E SEM DOR?
ONDE ESTÃO? ONDE ESTÃO OS CAMINHOS QUE PISEI?
AGORA SE FIZERAM VEREDAS ONDE NÃO SEI CAMINHAR.
Ajoelho, abro os braços em súplica demente, meus peito arfa
Num esforço incontido de gritar, de pedir, e num grito estridente,
Mais alto que minha dor, fronte levantada aos céus grito:
QUERO, PELO MENOS, SONHAR OUTRA VEZ
(pranto convulsivo) - silêncio.-..eu precioso, por favor.


José João
02/10/2.013




O beijo de minha lágrima

  Uma lágrima silenciosa e furtiva teima de brilhar em meus olhos,
Lentamente vai se deitando em meu rosto, rolando mansamente
Como se quisesse esticar-se em doce carícia a me aliviar a dor.
Desliza cálida em minha face, já sem expressão de prazer,
Porque nele, um adeus deixou doloridas e profundas marcas
Onde saudades e angustias fizeram confortável  morada.
Essa tão terna lágrima furtiva, companheira fiel e única
Foi a que se guardou em mim para que nunca chorasse sozinho
Tão perverso sofrer - as outras lágrimas saíram efusivas
Chorando dores que nem precisavam ser choradas - 
Mas essa minha lágrima se guardou virgem, imaculada e pura
Como se soubesse que um dia choraria, em desespero,
Uma ausência que minha alma guardava em doloroso segredo.
Minha tão cativa e doce lágrima! Sai dos olhos, rola na face
Procura ternamente meus lábios como amante cativa
E neles me deposita um beijo com... gosto de piedade
E me diz  fingindo ser apenas um beijo de saudade.


José João
02/10/2.012


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Luz...nas minhas noites

 Luz. Onde estás. Por que me deixas as noites tão escuras?
Por que te escondes entre as cortinas que a solidão teceu?
Por que não te deixas viva nas minhas tentativas de ver
Teu brilho pelas frestas das janelas que minha alma ansiosa
Procura para se fazer poesia alegre, sem lágrimas e cheias de ti
Te procuro entre paredes frias, te procuro entre meus sonhos,
Te procuro nos raios de luar que brincam enfeitando a noite lá fora...
Não te encontro...meu olhar corre entre os escombros caídos,
E se perde na escuridão da falta de ti. Minha saudade grita nomes
Que nem sei de quem são, tanto é minha vontade de não ser só,
Tanto é minha vontade de luz. A porta se fecha na noite nua,
Nem ao menos uma réstia de luz passa por baixo dela
Para fazer-se rastros de esperança ou até de desejos, 
Que  talvez  nem façam mais sentido por impossíveis
Que se fizeram agora. Mas ainda assim grito com as lágrimas,
Com soluços fortes que saem do meu peito como oração,
Grito nos versos da poesia que se faz aflita por pena de mim.
Lá dentro do peito um coração pulsa entre desejos e dor
Uma vontade de chamar um nome que iluminado seja
Zangar-se a alma não pode apenas chora triste a falta de luz


José João
02/10/2.013



terça-feira, 1 de outubro de 2013

Minhas tão claras noites


 Noites que eu pinto de branco, claras noites, lentas e vazias
Onde me perco fazendo os olhos buscarem o que não podem ver.
Escuto o silêncio gritando em minha alma o que não quero ouvir
E me ponho a fazer poesias cheias de dores, angustias e saudades
Mas todas ficam inacabas. Versos cheios de palavras soltas,
Rimas caídas no chão sem luz de minha solidão, que me abraça,
Fervorosa, me aperta sôfrega, me tira o folego, se faz amante,
Me invade, me toma, busca sonhos, suspiros e lágrimas choradas
Por momentos que a própria saudade não me deixa esquecer.
Paro. Espero minha alma vindo lentamente, sem nenhuma pressa,
Parece temerosa, ter medo da noite, mas vem sem querer vir,
Deixa que a noite lhe olhe bem dentro dos olhos - que são meus -
Deixa que a solidão lhe beije os lábios - que também são meus -
Deixa que a tristeza lhe turve o olhar com lágrimas - que são minhas -
E se abraça comigo, seu único amigo, de todas essas horas,
E juntos, nos sentamos no vazio de nós, esperando pacientes
Que a noite vá embora. Finalmente, sem pressa, lá vem o dia
Passos lentos por entre a madrugada. Mas, enfim chega,
E tristes, percebemos a mesma solidão, as mesmas dores
E surpresos percebemos que temos ainda muitas lágrimas,
Muito mais do que a noite nos fez chorar e... juntos...choramos
Como se apenas isso fosse preciso para viver. Viver.


José João
01/10/2.013








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