terça-feira, 20 de agosto de 2013

Me deixaram assim, apenas isso

 Meus desejos, segredos, sonhos foram atirados ao tempo
Todos se fizeram trapos perdidos, varridos, levados pelo vento.
Foram por entre as saudades, ouvindo os gritos  desesperados
Que a alma  gritava como louca entre os nadas que ficaram.
Até o eco dos gritos se fizeram tristes, se fizeram lágrimas,
E voavam como orações rezadas sem fé, indo a nenhum lugar
Onde  pudesse se fazer ouvido ou sentido como dor.
Minhas lembranças se fizeram pedaços amargos de vida,
Tão dolorosos que o esquecimento se recusa a leva-los
Para qualquer lugar distante onde o silêncio não tenha  voz
Para martirizar a alma agora tão sofrida e vazia dela mesma.
Me perdi, os caminhos se fizeram estreitas e insólitas veredas,
Onde os passos tropeçavam e os pensamentos se faziam bêbados.
Fiquei mendigo. Alma em trapos, coração em frangalhos,
Olhar perdido por não ter nada pra ver, braços estendidos,
Mãos abertas, frias, carentes, mendigando um pedacinho de calor
Fiquei vazio, sem nada pra dar. Nada. Estou tão vazio,
Que agora até os meus beijos têm apenas o gosto de beijo,
Não têm mais o sabor de minha alma.


José João
20/08/2.013









Um comentário:

  1. JOSÉ JOÃO,

    perdas são eventos que realmente, massacram!

    Quer que eu minta?

    Um abração carioca.

    ResponderExcluir

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