sábado, 20 de julho de 2013

Sou a minha mais triste invenção


Hoje me finjo de mim, me faço a mentira do que não sou mais,
Daquele homem que dos teus braços fazia um infinito de prazer,
Um mundo cheio de sonhos coloridos a se fazerem verdades.
Hoje sou apenas uma sombra, mas sou artista, sou poeta
E encontro no tempo, que dentro de mim insiste em passar,
A máscara de uma felicidade que juram seja completa.
Sou minha cópia fingida, com sorrisos falsos, palavras não ditas,
Apenas repetidas, palavras que ficaram de quando eu ainda era eu.
Grito todas elas e acreditam verdadeiras, se grito eu amo. Acreditam
Se grito sou feliz,  me dão parabéns. Se choro e digo que é de felicidade...
Aplaudem. Sou minha multiplicidade, sou um para cada um, mas triste...
Percebo que não sou eu, me vejo apenas uma cópia desbotada do que fui.
Não quero chorar, embora a saudade de mim, a saudade de nós
Se faça tão forte dentro da alma, que muitas vezes, num tremor lívido,
Me sinto tomado de tamanha angustia que choro gritando teu nome.
Não te culpo por agora ser o que  sou. Não te culpo se me vesti de ti,
Se te fiz todos os meus momentos, se te fiz minha própria essência,
Não te culpo se fiz dos teus sonhos os meus sonhos, se me despi de mim
Para me entregar como se tudo, até a vida fosse você.
Não te culpo por nada, afinal fui eu que me entreguei sem reservas.
Hoje sou uma sombra a esgueirar-se entes os vazios que deixaste,
Sou a história que ninguém conhece, mas tenho o mais belo sorriso falso
Que ninguém jamais viu. Hoje sou a minha mais triste invenção de mim.


José João
20/07/2.013

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