quinta-feira, 18 de abril de 2013

Preciso de um tempo


Preciso de um tempo. Estou cansado, dolorido, faminto...
De um olhar, de uma palavra. Nem sonhos, nem abraços e beijos,
Um olhar já basta, já me faz pensar que existo. Vou parar.
Vou parar de fazer versos por uns tempos, de chorar na poesia.
Meus versos molhados de lágrimas ainda se faziam vivos,
Mas hoje, morreriam afogados no tanto pranto que me vem.
Estou triste, perdido dentro de mim mesmo e muito mais,
Sou como um naufrago sem rumo, sem horizontes,
Indo ao sabor das ondas que não levam a porto nenhum.
Não posso mais fazer poesias, elas sentiriam vergonha de mim,
Das palavras reticentes, perdidas, atropeladas por soluços,
Das rimas descabidas por querer rimar dor com saudade,
Das letras trocadas, das palavras incompletas que só fazem
Versos vazios, nas estrofes deselegantes e sem sabor,
Nem ao menos o sabor de um adeus, quando a alma
Sente o gosto das lágrimas. Pensava que na despedida
A dor do adeus fosse maior que todas as dores, mas não...
Essa dor que sinto agora, essa dor que não sei nomear
Que deixa a alma demente, uma dor tão forte que...
Nem permite chorar! É ela que deixa os olhos carentes.
Vou parar de fazer poesias, para ver se consigo chorar...
Todas as lágrimas que há muito venho guardando em mim.
Vou chora-las todas, para que nenhuma caia mais na poesia. 
E talvez... quando essa ausência doer apenas um dia...por dia.
... Eu volte a ser ...eu


José João
18/04/2.013










3 comentários:

  1. Ah, que linda poesia... Parabéns!
    Beijos! Fernanda Oliveira

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  2. Jaum,

    Boa noite!
    Grande poeta, o tempo a ti pertence.
    Ao lermos uma poesia invadimos parte que revelas. Tantas vezes admiramos, noutras questionamos, e até nos emocionamos, mesmo sem saber se o que se passa na verdade é fato ou apenas a manifestação do eu poético.
    Espero que consigas entender que àqueles que te leem, direcionam para ti o olhar. Sei que é difícil perceber quando não há respostas imediatas ao que postamos, seja o que for. Às vezes eu também me vejo assim.
    Ao contrário do que pensas, não és um naufrago sem rumos ou horizontes, és homem, poeta, menino, gente que sofre, se cansa, que chora e que guarda consigo uma fonte que jorra inspiração e das mais belas!
    Sejas feliz na forma que escolhestes ser.. No teu tempo, a tempo, ou atemporal. És poesia até quando nada escreves. O poema nasce dentro da gente para crescer. Ainda que não escrevas, a poesia ficará calada, guardada em tua alma, é o teu dom, ofício, cem tons, fortes indícios, lugar das mais belas cores onde abrigas tuas lágrimas, lembranças, alegrias e amores.
    Ainda assim, parabéns e obrigada por compartilhar comigo e com outros, cada verso, poemas cheios de sentimentos e beleza. És grande poeta vestido de nobreza.
    Desejo-te tudo e melhor!
    Abraço,
    Alice.

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  3. Para que parar se as poesias ficarão gritando dentro de você, querendo ser libertas? Dê um tempo pra você (se achar preciso), mas não pare, és um grande poeta. Bjus

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