sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Alguém vive assim?



Quem já respirou espinhos quando um adeus lhe feriu
Todo o peito, lhe rasgou a carne, lhe tomou o coração 
E deixou a alma caída num canto da vida, perdida
Entre os próprios escombros?
Quem se sufocou nas próprias lágrimas que caiam
Como pétalas de flores mortas a rolarem no chão
Sem vida e sem perfume?
Quem já ouviu o silêncio do mundo que calava
O grito desesperado de uma alma perdida no nada
Chorando suas angustias em orações rezadas
Com a aflição dos pecadores  que sabem
Nunca vão ter perdão?
Quem já engoliu seu pranto para enganar os olhos
E faze-los ver apenas uma miragem de horizontes
Que se faziam desenhos numa imaginação de loucura
Criada pela demência de uma dor forte, cruel
Como a espada de um carrasco que lhe sangrava,
Do peito até a alma, numa dolorosa e impiedosa incisão?
Quem já correu sozinho por praias desertas
Buscando no horizonte, pelo menos vultos, 
Ou até sombras difusas, confusas de nuvens passageiras
Que lhe fizessem pensar não estar só?
Quem no silêncio frio da solidão angustiosa da noite
Esfregava freneticamente as mãos adormecidas
Fingindo que eram carinhos de alguém?
Quem já pediu clemência para a morte, e como resposta
Ela diz apenas: Mas já estás morto! Apenas...estás.
Quem, como eu, vive assim?


José João
30/11/2.012


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A beleza de uma lágrima



A beleza triste, mais bela que pode existir, é uma lágrima,
Apenas uma lágrima, chorada com o coração,
No instante de um adeus gritado em silêncio pela alma.
Não existe beleza mais triste, nem mais bela,
Aquele grito silencioso que sai do peito como louco,
Correndo no espaço sem nenhum lugar para chegar,
Sem ninguém para ouvir e... sem eco para voltar.
E aquela lágrima silenciosa a alongar-se no rosto,
Dos olhos brilhantes até os lábios, que se mordem
Num desespero incontido, na certeza da solidão.
E aquela lágrima, linda por ser única, beleza inocente,
A fazer-se dor,  pranto solitário dos olhos... que diz:
Para chorar não se precisa de tantas lágrimas,
Basta apenas aquela que a alma permite fazer-se saudade.
E para sempre fica dentro da gente, sempre atenta
Para fazer-se nos olhos quando o sonhos voltam... e a dor
Chega trazida pelo tempo, que parece nunca passar.
Uma lágrima apenas, a fazer-se a mais bela das belezas.
A fazer-se diferente, a dizer de um amor diferente
A dizer que aquela dor não é uma dor qualquer...
Não é uma dor como são as outras dores, tão comuns
Que são choradas por tantas lágrimas e nenhuma
Se faz especial para a alma... que quer apenas
Uma lágrima especial, para um dor única...
Para um adeus de um amor que não morreu...
Apenas se escondeu dentro do passado.


José João
29/11/2.012


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Seria um amor perfeito


Ama-me, pedi-lhe um dia, não com esse amor
Que todos sentem. Mas com um amor terno,
Aquele amor que faz a alma chegar perto do céu
A desmanchar-se em sonhos que vão indo ao léu

Ama-me, não precisa que seja um amor eterno
Não precisa ser aquele amor que o tempo cria,
Nem precisa ser infinito, assim seria monótono
Basta ser perfeito e que se renove a cada dia

Ama-me. Ama-me com a loucura dos aflitos
Ama-me com a ternura da brisa da primavera
Faz desse amor mensagem dos salmos benditos

Querida, ainda é tão pouco perto do que sinto,
Mas amor como o meu não pode ser entendido
Tanta perfeição, aqui, não teria nenhum sentido.


José João
28/11/2.012










segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Súplica


Fronte pendida como se o peso dos pensamentos
Fosse do tamanho do mundo. Olhos fixos no chão.
O peito arfando em soluços no desejo de gritar,
E a dor lhe rasgando a alma sem pedir para entrar

As lágrimas caiam sempre no mesmo lugar, uma a uma
Como se quisessem regar uma saudade, um sonho...
Assim como se uma doce lembrança pudesse nascer
E naquele chão úmido, mesmo tímida, pudesse crescer

Tudo se fazia muito distante, só não aquele adeus
Que insistia em se fazer de ontem e sempre presente
Que insistia em deixar na alma aquele vazio carente

Um nome era chamado, orações eram rezadas, gritadas
Joelhos curvados, braços ao céu, em cruz, levantados
E um olhar ao tempo, em gritos, por prantos chorados


José João
26/11/2.012








domingo, 25 de novembro de 2012

Meus anjos poetas


Minhas poesias são pequenos contos cheios de ternura e amor
Em que doces anjos, flutuando alegres, me ajudam a compor
Esses anjos divinos me contam histórias daqueles que amaram
E a esse amor, sem medo da dor, um dia a ele, se entregaram

Ah! Esses anjos do espaço que me ajudam a escrever versos!
Me vêm de mansinho, me põem nos olhos os sonhos sonhados
Me buscam no tempo, saudades e prantos na alma guardados
De amores perdidos, até mesmo esquecidos, mas tanto chorados

Em sussurros, que só eu posso ouvir, eles me dizem baixinho
Que ficam comigo, que gostam de sempre a meu lado estar
Por que nunca viram, assim como eu,  tanto sofrer e amar

Então me ajudam, nas poesias, contando histórias de mim
Histórias que são verdadeiras, contadas por esses anjos poetas
Que risonhos me falam de amores eternos em poesias completas


José João
25/11/2.012


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Parece uma saudade minha


Lá fora a chuva chora uma saudade que parece minha
Deixa que as lágrimas caiam num cantar moroso e triste
O vento soluça em uivos sutis, medrosos, e vai indo
Até onde minhas lágrimas, como chuva, estão caindo

A melancolia canta uma saudosa canção desconhecida
Como se os acordes fossem feitos apenas de saudades,
O dia cabisbaixo e monótono faz as horas serem lentas
Onde tristeza e solidão acordam eufóricas e ficam atentas

A esperar da alma  qualquer menor descuido que seja,
Qualquer suspiro, qualquer ai que a solidão atenta veja
Logo se acomoda e sorrateira... com ela vem a tristeza

Mais lentas ainda ficam as horas. Que preguiça de passar!
O dia se contorce como se do frio pudesse se agasalhar,
E a chuva por tanto já cansada me pede os olhos pra chorar


José João
23/11/2.012







Agora guardo minhas lágrimas


Exitem dores que não precisam de lágrimas
Exitem saudades que não precisam de pranto
Por isso nem sempre é preciso que se chore
E nem que, ao mudo, de joelhos se implore

Aprendi escolher as dores que preciso chorar
Aprendi a escolher as saudades e os prantos
Aprendi a sentir os momentos que devo calar.
Não sei que dor amanhã possa em mim chegar

Se for chorar toda e qualquer dor que eu  sinta
Dessas dores que uma outra dor vem encobrir
Dessas dores pequenas tão bobas de se sentir

Talvez um dia me falte lágrimas, seque meu olhar
Agora guardo carinhosamente todo meu pranto
Um dia posso ter uma dor verdadeira pra chorar


José João
23/11/2.012





quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sou feliz, sim


Sou feliz. Tenho tudo que preciso pra viver
Se não sei sorrir, que importa não saber?
Sei buscar sonhos, sei cantar, sei lembrar
Se não sei sorrir, que importa? Sei chorar

Sei lembrar todos os momentos que vivi,
Sei de todos os motivos pelos quais chorei
Vivi encantos, verdadeiros sonhos divinos.
Sou Feliz. Sei de todo os sonhos que sonhei

Sou Feliz. Minha alma se apraz em recordar.
Imaginem se eu não tivesse amado tanto!
Como agora me sentiria? Vazio, sem encanto
Sem ter nenhuma alegria ao chorar meu pranto

Sou repleto de histórias vivas, e verdadeiras,
Minha alma alegre explode na doce saudade
Que me vem de longe desde aquele adeus
Que me deu nos olhos esse ar de eternidade.


José João
22/11/2.012





quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ontem para sempre


Ontem, a casa se encheu toda de ti, teu perfume
Tomou conta desde o quarto até meu pensamento,
Teu sorriso brincava no jardim sorrindo com as flores,
Ouvia tua voz, meiga, como se fosse a voz do vento

Tudo aqui ontem,  falava ternamente e só falava de ti,
A saudade corria solta entre meu coração e os olhos
Contando sonhos, momentos que nunca se passaram,
Para sempre, dentro da alma, se acomodaram e ficaram

Nunca havia percebido um ontem tão longo e tão perto
Nunca me disseram que no hoje podia haver um ontem
Nunca imaginei que um ontem pudesse se fazer eterno

A casa está ainda toda cheia de ti,  até teus costumes
Insistem ficar. Nem teu lugar vazio na mesa, está vazio
Minha alma vestida de saudade ainda consegue te olhar


José João
21/11/2.012




terça-feira, 20 de novembro de 2012

O mendigo


Ontem caminhei em estradas coloridas de sonhos
Com o perfume da primavera, solto, livre no tempo
Pisei em jardins onde as flores, pinturas perfumadas,
Contavam histórias alegres todas trazidas pelo vento.

Hoje, quem sou? Um andarilho, um esmoleu triste
A caminhar sem horizontes, mendigando migalhas,
Pedaços de sonhos, um olhar, mesmo sem brilho,
Até pode ser um aceno, de um adeus que não existe

Quem podou minhas flores? Mudou o meu destino?
Quem me fez crescer tão de repente e se fez assim,
Cruel, matando dentro de mim a doçura do menino?

Agora sigo só, como fantasma, em noite sem estrelas
Se um dia as vi, e com elas brinquei, hoje se apagaram
Nem me deixam ver se as marcas de seus pés ficaram


José João
20/11/2.012








domingo, 18 de novembro de 2012

Desespero da alma


Quero te buscar no tempo, mesmo em sonhos,
Talvez assim, engane a alma que te chama tanto,
Ou a mim mesmo, me enganar nas noites frias
Em que o sono engana a noite e se faz de pranto

Buscar momentos que o esquecimento deixou ficar,
Em mim guardados, como prova viva do meu querer
E te-los sempre, e sempre atento a não perde-los
E neles, te trazer bem perto, e assim poder viver

A vida me manda  que me contente em te lembrar
Mas a alma, coitada, sempre carente quer te buscar
Mas no caminho em que foste morreram as marcas
E ela insiste, e grita como louca : Vou te encontrar

Meu pensamento, sem que eu peça, voando vai
Entre sonhos, entre dores e saudades te procurar
Até meu grito aflito, como louco, levado ao vento
Me volta em eco como se o grito fosse um lamento


José João
18/11/2.012


Sonhos e momentos


Não. Não me culpo por agora estar chorando
Nem vou lamentar essa dor que estou sentindo
Apenas fui em busca, a procura de uma história
Que se fizesse de sempre, mas o eterno foi agora

É sempre eterno cada instante de um amor intenso
É um amar tão forte que por tanto a vida implora
E foi tão belo! Foi quase infinito cada momento
Que até me disponho, por ele, chorar a cada hora

Se dentro de mim a saudade, por prazer, vier morar
E se com ela vier o pranto aos meus olhos cativar
Chorarei tantas e quantas lágrimas em minha face,
Por solidárias, ou por carinhos se fizerem tatuar

Me entregarei ao pranto, que talvez por piedade
Ponha um novo brilho, brilho que mude meu olhar
E a quem vê-lo, surpreso se confunda sem saber
Se é um brilho de sonhos ou um brilho por chorar

Mas passado o tempo quando a angustia se aplacar
Aí então saberei o quanto pra mim foi bom amar
Nas noites que sozinho o sono em mim não chegar
Terei doces momentos e belos sonhos pra lembrar


José João
18/11/2.012



sábado, 17 de novembro de 2012

Assim como o rio e a flor


...Me lembro da flor sendo levada pela fonte
Que em triste agonia lamentava a cruel sorte,
Impiedosa fonte que sorria em cínica ironia,
Pobre flor que sabia seu destino ser a morte

Em direção ao mar corria a fonte sem paradas
E nas vagas lembranças a flor se amparava
Para esquecer do momento; sorte tão mesquinha
E ainda assim, silenciosa, a pobre flor chorava

E a fonte em turbilhão no seu cantar sinistro
Levava consigo a flor agora mais frágil do que bela
Já sonolenta pela dor do não mais poder voltar
Sonhava com o campo como pintado em aquarela

E a fonte fria, impiedosa, sem alma, sem coração
Por simples capricho arrancava a flor do seu chão
E esta, em resignado silêncio cantava uma oração
Sabendo que sem volta, já a Deus pedia o perdão

Assim como a fonte, a mim é esse o meu destino,
Me leva impiedoso sem que eu saiba o caminho,
E como a flor,  sussurro chorando uma oração
E vou, como ela vai, chorando e indo sozinho

Em que mar terá deixado a flor o rio impiedoso?
Em que mar me deixará o destino que me arrasta?
Não sei. Fecho os olhos e me deixo ser levado
Em qualquer mar que apenas viva, isso já me basta


José João
l7/11/2.012






sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Filha do poeta



Poesia de palavras!!
Poesias que se fazem por si
Não por que eu queira.
Palavras que se parem aleatórias
Na gestação do poeta.
Que pare sem dor a dor que sente
Pelo ventre da poesia,
Estéril, se as palavras não dizem
O que lhe rasga a alma.
Palavras sangradas, mortas,
Paradas, deitadas, inertes,
Que por si, se levantam vivas
Dentro de cada um que se faz poesia.
Ah! Filha do poeta, 
Que acalenta o mundo
Contando em pedaços
O que lhe sofre o pai
Em fingidas frases
Que em sorrisos choram


José João
16/11/2.012

Palavras que aprendi



Fui juntando calmamente a letras,
Sem me preocupar em ordena-las,
Até letras repetidas eu juntava,
Fui guardando-as pacientemente
Em uma gaveta que apenas eu via,
Mas que, na verdade, todos têm.
Depois, com mais paciência ainda,
Como em um jogo de quebra-cabeças,
Fui ordenando-as e dando forma às palavras,
Palavras simples, mas importantes,
Fui aprendendo a formar palavras,
Com mais letras, e sempre mais letras,
Depois que apendi a formar todas as palavras,
Fui aprendendo, sem pressa, a ordena-las.
Foram muitas tentativas, mas ia conseguindo,
Finalmente, um dia percebi. Sabia
Sabia ordenar as palavras como quisesse.
Então veio a pergunta: Que fazer agora?
Que poderia fazer com as palavras
Já que as colocava onde quisesse?
Decidi: Com as palavras vou fazer asas,
Asas que me levem onde eu queira ir,
Até mesmo passear dentro do tempo.
Com as palavras navego nas estrelas,
Elas me levam em belos mergulhos
Dentro do que ainda não conheço...
Mas, o mais importante 
Que as palavras me ensinaram
Guardei carinhosamente dentro de mim...
É como dizer  sentindo: Te amo


José João
16/11/2.012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Entre escombros

Correr entre os escombros deixados pelo adeus,
Afogar-se no próprio pranto, chorando dores
Que até na alma se fizeram sentidas, e ela,
A alma, gritando, demente, um nome
Que ainda se faz vivo no tempo e nos sonhos,
Sonhos moribundos, caducos que se arrastam
Lentos e se partem em fragmentos perdidos
Sem se saber qual foi o primeiro ou o último.
Todos se misturam em retalhos soltos e se perdem
Desencontrados entre os momentos
E a alma a busca-los,  remenda-los como trapos
Rotos caídos entre os tantos devaneios mortos.
Algumas lágrimas se mostram mais que outras,
São aquelas que não foram choradas no adeus,
Mas de quando a ausência se fez forte, se fez viva,
Ocupando todo o espeço vazio deixado pelo adeus,
Do quarto ao jardim, do coração à alma
Da vida à eternidade... de toda uma saudade.
Lágrimas, prantos, gritos, pedidos em orações rezadas
Que se perderam entre a falta de fé e as blasfêmias
Ditas pelas tantas dores, que até a solidão, 
Por medo de pecar, se afastou para não ouvir.
E a tristeza se escondeu entre os pedaços
De um sorriso amarelo que encontrou caído no chão,
Parte dos escombros que ficaram para lembrar
Que amar é estar sempre pronto para navegar 
Em mares desconhecidos.. onde apenas.viver é preciso.


José João
14/11/2.012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Se esse amor fosse eterno...



Se esse amor que tantos dizem ser eterno,
Se realmente fosse, para que serviriam as lágrimas?
Para que teriam inventado esse adeus 
Que mata os sonhos, corta a alma em pedaços
De tristes pensamentos perdidos no nada
Engolindo momentos que se faziam infinitos
Dentro dos corações?
Se esse amor fosse eterno...como dizem,
As distâncias seriam só até bem ali,
Não se fariam caminhos para sempre perdidos,
Nem os horizontes se fariam de além sonhos.
Como pode o amor ser eterno se a dor é infinita?
Se os olhares se perdem na distância do tempo
Ainda que busquem, mesmo turvados, pelo pranto,
Um raio de luz que vá no passado buscar lembranças?
Se esse ... amor fosse eterno os sonhos não se fariam
Como nuvens dissipadas pelo vento
Sem ir a lugar nenhum, apenas desaparecem.
O que esse amor faz de eterno é apenas
Deixar essa dor doída, essa saudade incontida
E esse olhar sofrido olhando o infinito...
Buscando sonhos que nunca mais virão 



José João
13/11/2.012


A dúvida do pranto


Um adeus assim como são todos os adeus,
Doloridos, as vezes ditos apenas num sussurro,
Mas fazem, na alma, o eco de um grito 
Tudo fica sem cor, sem razão, 
O vazio se faz vivo, se faz forte.
Os devaneios se fazem pensamentos sem sentido.
A tristeza, dissimu-la-da, se passa por saudade,
Faz o olhos chorarem lágrimas melancólicas
E a alma chorar lágrimas de encantamento,
Pensando que era mesmo saudade.
Os prantos, que se fossem de tristeza seriam copiosos,
Se escondem na dúvida e se guardam
Para a certeza do momento,
Se é mesmo saudade ou tristeza.
O tempo inexóravel, mas lento, irrita os sonhos
E a ansiedade se faz quase absoluta, 
Não fosse a dor que mansamente vem chegando,
Percebendo que é tristeza e não saudade,
Nem mesmo uma saudade triste,
Esta vem depois, muito depois.
Virá com outras lágrimas, por outros caminhos,
Trazida pelos ontens que fazem questão de lembrar
Os momentos risonhos que morreram lá atrás...
Quando os sonhos eram verdadeiros, no coração...
... E na alma.


José João
13/11/2.012

domingo, 11 de novembro de 2012

Surpresa para o Poesias e poemas



SELO AGENDA DE OURO 
MELHORES BLOGS DE 2012





O Poesias e poemas hoje teve uma maravilhosa surpresa.
Foi presenteado pela poetisa NÁDIA SANTOS por um
belo selo, inesperado para mim, mas que me deixou muito
feliz. Resta-me apenas agradecer a essa pessoa tão especial
por todo seu carinho. A todos amigos e seguidores que ainda
não conhecem seu blog, GRITOS DA ALMA ,que por lá 
passem,  pois encontrarão lindas poesias. 
Muito obrigado Nádia!

José João
11/11/12


Amar é ter que guardar...


Amar é versejar a beleza mesmo em versos sem rima
É fazer copiosa fonte do mais árido e quente deserto
É brincar de conversar com as flores, faze-las sonhar...
...Até as bobagens se fazem belas num inocente contar

Amar é colorir o mundo sem tinta, esculpi-lo sem cinzel
É ver estrelas brincando, aqui mesmo, tão longe do céu
É estar entre sonhos que nem os anjos ainda sonharam
Amar... é ouvir canções que só no céu um dia cantaram

Amar é fazer a alma sorrir, voar entre os verdes, cantar
Brincar de criança, de ser gente grande, de se entregar
É a doce vontade, de entre beijos viver, e nunca parar

Amar é guardar sonhos de ontem, de hoje, para amanhã
É saber guarda-los dentro da alma e lá deixa-los ficar...
Amar! É um dia ter que busca-los para... poder chorar


José João
11/11/2.012

Sonhos... são apenas sonhos


Um dia, sonhei sonhos tão ternos, que me fiz passageiro
Do tempo, fui busca-los num mundo distante, desconhecido,
Mundo que, mesmo dentro de mim, se fazia quase sombra
Mundo que apenas pela alma carente podia ser percebido

Sonhei devaneios que a vida, nãos sei por que,  não permite,
Sonhei desejos percorrendo mares e horizontes de muito além
Mergulhei em nuvens, essas nuvens que o vento brinca de fazer
Desenhos incoerentes desenhando nelas o rosto de ninguém

Deixei que o sonho criasse um corpo, um rosto, um sorriso
Deixei que a doce criação do sonho tivesse vida e até vontades
Deixei que entrasse em mim como se sonhos fossem verdades

Mas um dia, vem a madrugada correndo, gritando eufórica
Chamando as estrelas que já vinha o dia, tinham que ir agora
Com o grito acordei, e o sonho, com as estrelas, foi embora


José João
11/11/2.012




sábado, 10 de novembro de 2012

Imagens perdidas


Os sonhos se foram naquela madrugada fria,
De lágrimas e chuva, de silêncio e de adeus.
A solidão, sentada na cama, ficou sorrindo
E a tristeza, sempre insensível, falava baixinho

A angustia, gritava aos berros que qeria entrar
E o coração, por tão assustado, só faltava parar
A alma, desesperada, procurava orações pra rezar
Mas ela e os olhos, coitados, só sabiam chorar

O tempo, apenas passageiro naquele momento,
Curioso se a dor era forte, ficava ainda mais lento
Assim como sempre, quando tudo se faz sofrimento

Fantasmas se fazem vivos nas sombras da noite
Se vestem de saudade e trazem vultos perdidos,
Imagens confusas por nossos desejos paridos


José João
10/11/2.012





quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pedaços de dor


... Me fiz em muito pedaços,
Para que cada pedaço de mim,
Converse comigo mesmo, e todos eles,
Entre silêncio e gritos, nada dizem.
Me deixei fazer em muito pedaços,
Para que, pelo menos um pedaço de mim,
Dissesse o que preciso ouvir,
Mas todos eles só me dizem angustia.
Junta-los agora não interessa,
Alguns deles se fizeram rebeldes,
Outros, verdadeiros verdugos, frios.
Todos eles me gritam cruelmente
Quando não se fazem de meu pensamento,
Tenho medo de junta-los e a dor ser bem maior,
Talvez as emendas não se façam cicatrizes,
Se façam apenas  pontos de troca
Entre as diferentes dores de cada pedaço de mim


José João
01/11/2.012

Nosso segredo

Expus todos os meus segredos.
Devassei minha vida
 E me entreguei ao mundo
Como se eu fosse dono de mim.
Contei todos os meus sonhos,
Não deixei nenhum para mim, 
Para acalentar minha  saudade
- Que também era segredo -
Não sei se dividi com outros corações
Os meus anseios, ou se apenas os contei,
Na verdade, não sei se plantei
Uma semente ou se podei uma árvore,
Mas sinto minha alma nua, como se contar
Meus segredos, fosse confessar meus pecados,
- Se é que amar é pecar -
Me desnudei e não sou mais de mim,
Entrei, sem licença, em outros corações
E talvez neles, tenha despertado sentimentos
Que não queriam despertos, talvez por medo
De senti-los. Se a poesia lhes contou
Meus segredos, e se estes também eram seus
Segredos...que bom, assim estamos juntos...
Temos um segredo só nosso.


José João
07/11/2.012


Quando é adeus



Sonhos perdidos, sonhos chorados
Tremores da alma em prantos doídos,
Caminhos marcados, caminhos sofridos,
Lágrimas, amor, dores e gemidos,
Gritos calados, no peito guardados,
Um adeus incoerente, como qualquer adeus,
Angustia demente. Tudo se confunde,
A vida, a alma, o amor, uma dor permanente,
Uma saudade constante e até inclemente.
Suspiros por prantos, orações mal rezadas,
Blasfêmias, até já foram gritadas,
Não por ofensas, nem por pecados...
Talvez por desespero. Joelhos feridos,
Braços erguidos. Olhar de demência
Pelo medo, no peito parido.
A esperança desmaia e se deita no chão
Com um olhar moribundo pedindo perdão,
E a clemência, escondida de surda se faz
E por mais que se reze, não se ouve a oração.
Calar é preciso para ouvir o silêncio.
Ah! O silêncio! O silêncio dói tanto
Quando a última palavra ouvida,
Com a dor de ser dita: É adeus.


José João
07/11/2012


Não sei se triste é o dia...


Está frio lá fora, a ameaça de chuva prendeu o vento..
As árvores apenas se mostram vivas por estarem verdes,
As flores choram, delas caem um orvalho fino,
Como se fossem suas lágrimas. O dia está triste.
O frio é marcante, é forte, é até lascivo,
Traz um marasmo preguiçoso despertando sonhos,
E trazendo recordações como se elas não fossem
Passado, como se estivessem presentes, paradas
Dentro de cada um, como parece o tempo agora.
Até o cantar dos pássaros é melancólico,
Parece saudoso, como se quisessem, com o canto, 
Traduzir a monotonia do dia.
Movimento o corpo para afugentar o frio,
Mas ao frio doloroso da saudade e da solidão
Me rendo, que ele permaneça enquanto o dia
Estiver triste, mas verdadeiramente não sei
Se triste está o dia...ou se triste sou eu.


José João
07/10/2.012

Não encontro você...


Me sentir sozinho é como brinco de viver todos os dias
É como estar entre tantos, entre todos, e não ser visto
É esconder-me tão bem, que só a solidão me encontra
Como se eu dissesse à multidão: Para você, não existo

Estar sozinho é como ouvir a beleza melodiosa do silêncio,
Num cantar mudo, me fazer buscar pensamentos perdidos,
Momentos que ficaram entre os tantos e moribundos sonhos
Que se arrastam lentos no tempo como fantasmas esquecidos...

Uma lembrança, um olhar sorridente, que parece de ontem,
Me vem em saltitante alegria, gritando que espere um pouco
Que ela está ali, que vem antes que o mundo me faça louco

Não sei se é a solidão que me encontra, ou eu que a busco
Mas sei que na multidão nada encontro, nada tenho pra ver
Teria, se entre tantos, ou se entre todos, estivesse você


José João
07/11/2.012









terça-feira, 6 de novembro de 2012

O presente que vocês me deram

Caros amigos e incentivadores, quero dividir com todos vocês 
minha  alegria. Duas poesias minhas, enviadas (títulos citados)
para  Portugal,  foram  selecionadas  para  fazerem  parte do
projeto  abaixo  citado. Não  teria  conseguido,  não  fosse o
incentivo  através  das  palavas  carinhosas, dos  comentários, 
da permissão que me dão para participar dos seus dias através 
da  poesia.  Essa  é uma  conquista que sem a participação de 
todos  vocês,  certamente,  não  teria  conseguido. Abro  meu 
coração, coloco  todos  vocês,  meus  amigos, dentro dele, e
deixo-o a vontade para ama-los sempre. OBRIGADO.
Abaixo email que vocês me permitiram receber


Exmo. Sr. José João da Cruz Filho,

Em nome da comissão da V Antologia de Poetas Lusófonos
agradeço a sua participação. Tenho o prazer de informar que 
os seus poemas "Soneto da Saudade” e "A poesia
que a tristeza escreveu” foram seleccionados para fazerem 
parte deste projecto lusófono.


  Atenciosamente,

Sandra Isabel Amaro
(Técnica Superior de Comunicação)


Folheto Edições & Design, Lda
Praça Madre Teresa de Calcutá
Lote 115, loja 1
2410-363 Leiria

domingo, 4 de novembro de 2012

Se eu fosse poeta...



Eu?! Não tenho rosto de poeta, nem jeito de poeta
Não tenho a ternura suave dos poetas, a alma linda
E triste a correr entre sonhos, saudades e desejos.
Não sei fazer as palavras ficarem meigas, doces e belas,
E coloca-las dentro dos versos, mas que fiquem soltas,
Voando e povoando a imaginação de cada um.
Não tenho nada de poeta, a não ser a vontade.
Sim. É isso, a vontade. A vontade de escrever poesias
E deixa-las correr o mundo afora assim como o vento,
E elas, sem licença, entrarem nos corações apaixonados
E deixa-los mais ainda, ou entrar nos corações de pedra
E faze-los pequenos pedaços de sentimentos completos
A chorarem o tempo que perderam sem amar.
Não tenho a paciência do poeta, que como artesão,
Lustra as letras, entrança as palavras, pinta os versos
E a eles  dá vida e à poesia dá alma.
Não tenho nada de poeta. Não sei nem dizer adeus...
Se digo. Choro e não escrevo. Não sei nem fazer poemas
Dos rastros que as lágrimas deixam em meu rosto.
Se eu fosse poeta contaria da saudade, dessa saudade
Que até hoje sinto, na verdade desde sempre.
Se eu fosse poeta ela estaria dentro dos versos...
Que não sei escrever... só sei sentir...


José João
04/11/2.012


sábado, 3 de novembro de 2012

Ninguém ouve meu grito



Entre as tantas palavras que entre nós foram ditas
Uma não pude esquecer, ficou guardada no peito,
Fez eco na alma. Que posso fazer?
Guarda-la e esperar que o tempo, me traga,
Mesmo lento, um esquecer.
Prometi a mim mesmo não chorar nenhum pranto,
Fazer da saudade acordes de uma canção,
Uma melodia que faça da dor uma terna oração,
Não qualquer oração que de joelhos se reza, 
Se grita e bem ali se perdeu,
Mas uma oração que leve para a alma
Os gritos sonoros de um desespero incontido
Que sai do peito perdido, sem rumo e aflito
Sem ter horizontes, sem ter caminhos,
Sem ter para onde ir, sem ter sequer alguém,
Que lhe possa ouvir


José João
03/11/2.012

A falta de você



Pensamentos vão e vêm e não cansam de lembrar
De momentos tão distantes que vivi sem esquecer,
Sussurros que a vida me tomou para guardar,
Recordações que até hoje me ajudam a viver.
Sigo passo a passo os caminhos onde um dia eu passei
Sinto o gosto da saudade dos amores que deixei.
Ouço agora do tempo o que eu nunca quis dizer,
Das verdades que a vida me dizia e não quis saber.
Agora minha voz tão reticente tenho medo de sofrer
Por tudo que não fiz, brincando de viver,
E hoje... o que sinto é a falta de você, mas agora
O que é que eu faço, com o tempo que passou?
Com os momentos que ficaram entre nós e o adeus
Com essa saudade que na minha alma
Comodamente se deixou ficar?


José João
03/11/2.012


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A saudade é você


Vou deixar minha saudade mais alegre, mais bonita, 
Com a cor dos teus olhos e a meiguice de teu sorriso.
Com a ternura de teu olhar cantando em silêncio
Um canção que só meu coração sabia ouvir
Essa minha saudade! Vou vesti-la com teu perfume
E deixar que voe solta entre os sonhos distantes,
E traze-los cativos, completos de todos os momentos
Que ficaram eternos nos pensamentos e coração.
Vou até deixar a saudade falar com tua voz
E ouvi-la dizer, como fazias, sussurrando baixinho:
Amo você. Vou deixar que ela tome tua forma
Até que use teu corpo. Vou deixar minha saudade
Linda. Mais bonita que todas as saudades...
Assim vou pensar que sempre estás aqui, perto.
Tão perto que ao sentir a brisa me roçar o rosto
Pensarei que são tuas mãos a acaricia-lo, assim...
Tão ternamente. Como essa saudade de você
Se fez toda... você. !!


José João
01/11/2.012




Tu, única entre tantas.


Tu, a quem procuro por cada rosto que passo.
Pequenas marcas apenas parecidas até encontro
Um sinal que tinhas, que me mostravas,  até vi
Mas o rosto dela tão diferente que nada senti

Tu, a quem as manhãs sorriam dando bom dia
Para quem as flores se abriam sorrindo perfumes
Balançando alegres nos galhos para te fazer sorrir
Tu, única entre tantas, te buscando foi que percebi

Em uma, um fio de cabelo lembrou o teu, mas logo,
Num sutil sussurro, me disse o vento quando chegou:
Vê. Não balança como o dela, teu olhar te enganou

Em outra, entre feliz e surpreso encontrei teu sorriso
Naqueles lábios haveria de ter o sabor de teu beijo
Mas o coração diz: Te enlouqueceu este teu desejo!


José João
01/10/2.012













Palavras são como o vento


Não quero falar, qualquer palavra é tão pouco,
Nada falariam, nem dos sentimentos, nem dos momentos,
Ficariam mudas e a história se perderia no vazio,
Passariam entre o esquecimento e o tempo
Assim como o vento passa fácil pelas cercas dos quintais.
Sem nunca mais voltar. Palavras são assim como o vento,
Se são faladas sem que a alma as tenha dito. Nada valem
Não quero falar se sonho contigo, se tento te esquecer,
Não quero falar se és meu martírio, meu paraíso,
Não quero falar nada disso. É mais importante o acontecer
Lembrar, lembro sem precisar ouvir nem falar
Te buscar entre minhas mais fortes recordações,
É tão fácil, basta apenas caminhar nas ruas,
Ainda tenho o vicio de em cada olhar buscar o teu.


José João
02/11/2.012








quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Relíquias


Quantos serão os anos que ainda virão?
Não sei, mas serão vividos, como foram vividos
Todos até aqui, com você dentro de mim.
O coração pulsando na beleza do silêncio,
Que em segredo, chama teu nome. E a alma
Sorrindo prazerosa pelo gosto da saudade
Que brilha nos olhos e vai, solta entre as palavras
Que não devem ser ditas, para que a beleza
Se faça para sempre, até uma outra saudade tua.
Que a imagem fique guardada entre os sorrisos
Que o coração se permitiu sorrir vendo teu rosto
Que um dia a distância insistiu em apagar,
Mas apesar das sombras que ela e o tempo
Tentaram fazer, a saudade sentindo o perfume,
Que até teus rastros deixaram,  levou o pensamento
A te encontrar nas histórias que insistiram em ficar
Guardadas como relíquias dentro da alma.


José João
01/11/2.012




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