sábado, 2 de junho de 2012

Pobre poeta


Pobre poeta que ao pranto se entrega
Por perdidos encantos de amores vividos
No tempo perdidos sem serem esquecidos
Por tanta vontade de voltar a viver.
Pobre poeta que cala no peito
Um grito, um gemido, um soluço, um ai,
Que guarda na alma um pedaço de sonho
Para o amor não morrer, e pede baixinho,
Fingindo sorrir, para a dor não doer.
Pobre poeta que sozinho se cala
E a si se abraça fingindo sentir
Um corpo, um carinho que nunca sentiu,
Ouvindo um sussurro falando de coisas
Que nunca ouviu.
Pobre poeta que ao sono se entrega
De olhos abertos fingindo sonhar.
Pobre poeta que em sonhos fingidos
Ao tempo se entrega entre amar e chorar.


José João

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