sábado, 9 de julho de 2011

Um dia de tristeza



Estou tão triste, tão só e em tão silêncio,
Que meu próprio silêncio tenta me deixar desperto,
Me fazer companhia e conversar comigo.
Minha angustia chega quase em desepero,
Sou apenas o fantasma de mim mesmo,
Que perambula numa casa vazia.
Todos dormem tranquilos só eu carrego
Minhas tensões, meu medo perverso e cruel.
Estou tão triste, tão só e em tão silêncio
Que ouço nas minhas veias o sangue correr
Como se fosse uma fonte de tristezas.
Choro. Minhas lágrimas molham meus pés,
Me deixam o olhar turvo como se a nevoa da solidão
Não quizesse me permitir ver meu próprio sofrimento.
Choro em meu silêncio e sinto medo de mim mesmo,
Medo de explodir em farpas que possam atingir
A mim e a todos, e isto me diz que talvez
Nunca mais eu seja o mesmo.
Tenho medo que o tempo, por mais amigos que seja,
Não apague jamais o que sinto agora,
Medo, raiva, ódio, sentimentos há muito
Em mim sepultados que revivem agora intensos
Como se a letargia em que viviam
Apenas os tenham deixado mais fortes, mais ferozes,
Mais vivos e muito mais violentos.
Grito a dor desesperada de um homem só
Que venceu um  passado que o encheu de cicatrizes,
No corpo e na alma. Um passado sepultado
Dentro dele mesmo, do homem que já sabia onde ir.
Do homem que conquistou seu novo espaço,
Retomou e dirigia seus pensamentos
Na direção de um horizonte que já não era utopia.
Ódio, sinto ódio de ver renasscer de raízes mortas
Uma dor maior, mais atraoz que faz de mim um animal.
Choro, choro a dor da raiva por terem querido
Levantar das cinzas um passado que tão cuidadosamente
Enterrei sob toneladas de soluços.
Por ser tão maldito esse passado, após passado tanto tempo
Ele me causa essa dor de agora. Maldito seja.

José João

Um comentário:

  1. mundo cruel!enquanto vc sofre a dor de um passado tão longuíncuo,eu sofro a dor da mesma solidão, e da saudade de um passado tão próximo...

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