sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Loucura




Voei no tempo com palavras soltas,
Vaguei no infinito do silêncio
Cantando uma saudade que ninguém ouvia.
Paredes surdas, paredes mudas, frias
Ou eu demente por contar sonhos ao vazio?
Percorri rastros deixados no tempo,
Percorri as horas sentado no nada
Como se o nada me fizesse voltar
Por perdidas rotas que não percorri.
Perdi os rastros da saudade, ela veio,
Mas apagou o caminho em que um dia vivi.
Percorri a vida como se fosse uma estrada,
Uma estrada que se confunde com o tempo,
Percorri parado no silêncio do escuro,
Toda uma volta ou ida. Não sei.
Ao passado é ir ou voltar?
De lá, sem dormir, acordei, vim ou voltei?
Ao longe um gemido, sussurrado, cansado,
Como se me pedisse para esperar,
Esperei parado, como já estava,
No escuro silêncio da palavra perdida
Que o sussurro cansado não podia gritar,
De quem era o gemido que ouvia?
De um velho sonho caduco,
Sonho que sonhei ainda criaça,
Lá vinha êle lentamente se arrastando,
Barbas brancas, ombros curvos,
Com voz reticente insistia em dizer
Que era um sonho que havia sonhado ontem,
Voei no tempo e fui além dos sonhos
Fui até nos prantos que já havia chorado.

José João

Um comentário:

  1. Bom, seu poema é muito bom, José. A loucura é algo que está em nós presa em alguma janela interior que escondemos de nós mesmos. Belo poema! Abraços, Pri!

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